Bariri, patrimônio histórico e futebolístico do Piauí
Reúne craques do passado, jogadores profissionais ainda em atividade, nomes do amadorismo e a garotada
Sima (camisa 10, em pé, o 3° da direita para a esquerda) e Toinho (à paisana, em pé, entre os camisas 4 e 18) (Foto:Arquivo Pessoal/Luís Alberto da Rocha)
Mora em Teresina, gosta de futebol e não perde a oportunidade de ver grandes boleiros do passado em ação? Então, com certeza você já deve ter ido ao mais tradicional ponto de encontro do futebol amador da capital: o Bariri. Localizado na zona Norte da cidade, o campo de terra batida oficial da Vila Operária não é especial à toa: reúne craques que brilharam nos anos que se passaram, jogadores profissionais ainda em atividade, nomes do amadorismo e ainda os garotos aspirantes a novos Neymares, Gansos e Damiões da vida.
No campo de 5.400 metros quadrados, grandes nomes do futebol piauiense brilharam antes e depois de se consolidarem como profissionais. É o caso de Antônio de Pádua Soares. Não sabe quem é? Trata-se do goleiro Toinho, que surgiu no futebol amador de Teresina, brilhou com a camisa do Tiradentes, ganhou fama no Sport e foi campeão brasileiro pelo gigante São Paulo.
Antes de se tornar profissional pelo Tiradentes, na época de ouro do futebol piauiense, foi em campos de terra batida como o Bariri que Toinho começou a se destacar como goleiro, meio que por acaso, diga-se. “Eu era zagueiro central, mas quebrei o braço e, quando voltei, fui jogar no gol”, conta. “Quando criança, batia bola nos campos dos bairros Marquês, Buenos Aires, Poti Velho e Bariri, na zona Norte, mas não tinha mais vaga na linha, só no gol. Como queria jogar, aceitava. Fui ficando, ficando, até que aceitei a condição”, complementa.
Depois de ser campeão com as camisas de Tiradentes, Sport e São Paulo e colecionar passagens por Bangu, Pinheiros, Coritiba e Atlético Paranaense, Toinho encerrou a carreira em 1996. Desde então, experimentou a carreira de preparador de goleiros e, mais recentemente, de treinador. Nos primeiros dois meses de 2012, foi treinador do Comercial, atual vice-campeão piauiense. Antes de aceitar o convite para treinar o time azul e branco de Campo Maior, entretanto, ele voltou ao Bariri, para comandar uma parceria com o Uchoa Clube.
O Bariri também tem o seu Pelé
Toinho foi o maior goleiro que o Bariri já teve o prazer de receber em seu campo de terra batida. Mas o maior jogador que desfilou seu talento no mais tradicional palco do futebol amador de Teresina foi Simão Teles Bacelar. Maior jogador da história do futebol piauiense, Sima é o Pelé do Bariri, mas também é o Pelé do Piauí e o Pelé do Nordeste.
Na sua trajetória de conquistas, Sima ostenta até hoje a marca de recordista em número de títulos e artilharias no Campeonato Piauiense. Em 21 estaduais disputados no Piauí, o atacante natural de Miguel Alves foi artilheiro em 10 oportunidades e campeão outras 10 vezes.
Os recordes de Sima, no entanto, não se limitam ao futebol piauiense. É dele uma marca única tanto em nível local quanto em âmbito nacional: nenhum outro jogador no futebol brasileiro conseguiu a façanha de ser o principal artilheiro da história de três clubes. Em 21 anos de carreira, o Pelé do Bariri tornou-se o maior goleador do River (185 gols), Piauí (156 gols) e Tiradentes (93 gols).
Durante as mais de duas décadas de carreira no futebol, Sima fez mais gols do que monstros consagrados como Careca, Leônidas, Serginho Chulapa e Heleno de Freitas. Com seus 550 gols, o piauiense só fica atrás de Pelé, Romário, Zico, Roberto Dinamite, Cláudio Adão, Friedenreich e Dadá Maravilha quando o assunto é balançar as redes.
Assim como Toinho, depois que pendurou as chuteiras, Sima também voltou ao campo de terra batida do Bariri. Hoje, com mais de 60 anos, ele continua a bater sua bolinha e marcar seus golzinhos no berço do futebol amador de Teresina.
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