CAF investe R$ 80 milhões e beneficia 2.500 famílias piauienses
Programa vinculado à SDR torna-se exemplo de valorização do trabalhador rural para todo o Estado
Acreditar. Certamente, esta deve ser a palavra que melhor se encaixa para explicar o sucesso alcançado pelo Programa da Consolidação da Agricultura Familiar (CAF), da Secretaria do Desenvolvimento Rural (SDR). De acordo com Rui Cipriano, diretor do CAF no Piauí, o programa teve início em 2007 e, atualmente, está presente, em 108 municípios, beneficiando cerca de 2.500 famílias piauienses, com recursos da ordem de R$ 80 milhões.
A mudança de vida proporcionada aos beneficiados do programa pode ser comprovada através do sorriso que irradia das faces dos ex-vaqueiros e meeiros, hoje orgulhosos em afirmar que são donos da sua própria terra.
Um caso exemplar de como o CAF tem modificado para melhorar a realidade do homem do campo no Piauí pode ser descrita na história dos irmãos Edgar Pinheiro da Silva e Antônio de Deus Santos. Antes, humilhados ao exercerem a função de vaqueiro nas propriedades de outros, agora ambos se emocionam ao relatarem as dificuldades enfrentadas ao longo deste período.
“Trabalho desde os sete anos de idade, quando era pequeno, trabalhava nas farinhadas para ajudar minha família. Depois, fui trabalhar como vaqueiro nas fazendas da região. Fazia meu trabalho com responsabilidade, mas me sentia muito humilhado ao receber uma micharia no fim do mês. Sonhava em um dia poder ter a minha própria terra, trabalhar para eu mesmo”, afirma Edgar.
Para Antônio, proprietário da Fazenda Lagoa Seca juntamente com o irmão Edgar e a cunhada Roseli Lívia, a ajuda do CAF veio na hora certa: “Eu e meu irmão já estávamos cansados de trabalhar como condenados para os outros e depois não recebermos nem mesmo um muito obrigado. Poder cuidar de nossos carneiros, do nosso gado, e da plantação de milho nos deixa muito satisfeitos”, diz ele, referindo-se a criação de 90 carneiros e 15 cabeças de gado que possuem na fazenda.
A Fazenda Lagoa Seca, localizada nas proximidades do município de Altos, conta ainda com o cultivo de macaxeira e de milho, além de abrigar um tanque onde são criados cerca de 750 alevinos. Sua extensão é de 147 hectares, ao passo que possui casa com energia elétrica, poço tubular e sistema de irrigação.
Edgar fala com entusiasmo das melhorias que foram realizadas na fazenda após a vinda de sua família: “Estamos em nossa terceira colheita de milho e nossa expectativa para a quarta é muito boa. Construímos ainda um aprisco para abrigar os carneiros no inverno. Nosso plano é de começarmos logo a plantar melancia também. Estou muito feliz, 100% feliz”.
Roseli Lívia, esposa de Edgar, revela que ficou surpresa com a mudança de vida repentina: “Antes, quando vivíamos como agregados, sofríamos muito. A mudança foi muito grande, mas a disposição é ainda maior”.
Ao falar sobre o CAF, Edgar tece vários elogios sobre a eficácia do programa. “O CAF é um programa que veio para ficar. Da forma como está sendo aplicada, dificilmente não terá o sucesso esperado. Não há como sua aplicação não funcionar”.
Edgar e Roseli são pais de dois meninos: Pedro Victor, de um ano e quatro meses, e Marcos Levy, de quatro anos. O pai se emociona ao falar sobre as expectativas de futuro para os filhos. “Essa terra um dia será deles. Meu maior sonho é que eles continuem cuidando com carinho dessa terra, assim como eu. Eles são a minha vida”.
O maior desejo de Edgar para o presente, porém, refere-se a sua mãe. O agora proprietário individual demonstra muita emoção ao lembrar dos ensinamentos que aprendeu. “Com ela, aprendi a ser um homem de verdade. Ela ensinou a todos os filhos o caminho do bem, e eu sigo por ele até hoje. Minha maior vontade é que ela veja o quanto eu estou feliz. Ela vai ficar muito orgulhosa de mim quando me vir sair na TV”, finaliza o agora realizado Edgar, que nunca deixou de acreditar no seu sonho e, com a ajuda do CAF, conseguiu realizá-lo.
Outro caso emblemático é o da dona Maria dos Remédios. Antes responsável por zelar pelas criações de galinha e capote de outras propriedades, hoje ela se orgulha em poder criar seus próprios animais.
A Fazenda 13 de Maio, antes chamada de Fazenda Alto Bonito, tem como proprietários a dona Maria dos Remédios e seu esposo, sr. Edmilson. Conta com uma área total de 25 hectares, e possui casa com energia elétrica e água encanada, além de poço tubular e sistema de irrigação.
A propriedade conta com criações de galinha caipira, capote, carneiros e um pequeno rebanho. Porém, a principal fonte de renda da família está na venda das galinhas e capotes. Contando com cerca de 1.000 galinhas e 400 capotes, a comercialização de ambos está gerando uma visível mudança de padrão para a família.
Sobre as melhorias vivenciadas por sua família, dona Remédios revela que muitas delas eram desejadas há muito tempo: “Tínhamos muita vontade de comprar um carro, e graças a nossa criação de galinhas e capotes, conseguimos realizar esse sonho. Pago a faculdade da minha filha com a renda obtida a partir da venda dos animais abatidos para as feiras de Altos e Campo Maior. Parte da produção, vendo ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da SDR, conseguindo uma boa quantia a partir destas vendas. Tenho também muitos frigoríficos que compram meus capotes e galinhas. Estou realizada, devo muito ao CAF”, complementa dona Maria dos Remédios.
De empregada, dona Remédios passou a empregadora. Com a renda obtida através das criações, a proprietária rural contratou um funcionário para auxiliá-la no plantio dos coqueiros, cajueiros e bananeiras, bem como na lida com os animais.
A vitória de dona Remédios está representada no nome da propriedade, Fazenda 13 de Maio, data da aquisição desta. Este dia representa muito para ela, tendo em vista sua devoção a Nossa Senhora de Fátima, patrona da mesma data. “Sem a ajuda de Nossa Senhora de Fátima e do CAF não teria conseguido comprar minha própria terra. Devo tudo que tenho a eles”.